por George Hochheimer e Luciano Martinelli Imperatori*
Muitas vezes ouvimos de estudantes e profissionais em início de carreira a pergunta: “Como ser um bom arquiteto?”. Toda profissão necessita de muitos esforços e esta não é diferente. Para ser um bom profissional, é preciso que o interessado seja um humanista curioso; pesquisador por natureza e dispor de uma vasta compreensão espacial, o que significa ter habilidade de criar e visualizar espaços que ainda não existem.
Ser arquiteto exige tempo e muito aprendizado. E o resultado é gratificante. Pense em como pode ser interessante poder projetar algo que não existe. O arquiteto tem que entender de tudo um pouco, principalmente, porque um projeto envolve muitas questões além da construção em si: é preciso considerar os aspectos sociais, urbanos, psicológicos e físicos (relacionados às técnicas construtivas). A função do profissional é interpretar as necessidades e os desejos tanto individuais como coletivos, transformando-os em cidades, bairros, edifícios, assim como em espaços e equipamentos urbanos: estações, bancas de jornal e de atendimento e até cabines telefônicas, sempre com a responsabilidade de garantir coerência histórica, estética e técnica.
A Arquitetura é uma carreira que se constrói aos poucos. No início é importante trabalhar para alguns escritórios diferentes, pois como a forma e o tipo de trabalho variam muito de escritório para escritório, quanto maior for sua experiência, melhor será seu desenvolvimento profissional, o que o ajudará muito para definir seu método e também para constituir um escritório próprio.
Atualmente, os formatos dos escritórios de arquitetura e perfis profissionais são muito variáveis. Cada vez mais os escritórios se profissionalizam deixando de lado o caráter de ateliê, que transmite uma imagem artesanal do trabalho. Em geral, a estrutura dos escritórios mais tradicionais é semelhante à de uma grande empresa, com sua estrutura verticalizada e centrada na figura do (ou dos) arquiteto(s) responsável(eis).
A Hochheimer Imperatori Arquitetura - Hiarq, empresa que gerenciamos, dispõe uma proposta um pouco diferente. Somos um escritório de médio porte e procuramos criar uma estrutura horizontal e equilibrada. Acreditamos que o equilíbrio se dá pelo respeito e pela responsabilidade de cada um. É exigida muita participação de todos os que trabalham na empresa, pois entendemos que são cabeças pensantes e capazes, podendo agregar muito aos nossos projetos. De fato, quando somadas as inteligências, as capacidades produtiva e intelectual se multiplicam exponencialmente.
Para que esta participação aconteça, nos preocupamos muito com o ambiente democrático e livre. Promovemos reuniões e discussões periódicas, para que haja uma integração e um forte envolvimento de todos. A Empresa esporadicamente realiza atividades de lazer e de aperfeiçoamento extra-escritório. Incentivamos os colaboradores em suas buscas pessoais, fazendo o possível para que as realizações aconteçam. Esta estrutura é chamada carinhosamente de “Anarcotetura”: uma fusão de anarquia com arquitetura, porém é necessário um bom entendimento do que é anarquia, que sempre está vinculada à desordem e na verdade significa uma relação de extremo respeito e consciência de um com outro, onde é desnecessária a presença de algum repressor ou regulador. O próprio conjunto se regula.
Para a manutenção de tal sistema é muito importante a escolha de pessoas que tenham afinidade com ele, que se integrem bem ao conjunto. Cada escritório tem uma forma para avaliar o profissional que vai compor sua equipe. No caso da Hiarq, é necessário que a pessoa tenha espírito de grupo, vontade de aprender, comprometimento ético com a profissão, responsabilidade e estar sempre atualizado.
Aprendizado constante
Outro fator que deve estar sempre em suas metas é o aprimoramento profissional. Hoje, o mercado oferece várias opções, mas antes de buscar um curso, faça uma pesquisa para garantir a qualidade do que compra. Cursos de softwares destinados à arquitetura são bem vindos. Dois dos mais utilizados para produzir um projeto são o AutoCad e o Vectorworks. Outra fonte rica de informações e de até um futuro trabalho são as feiras do setor, como: Feicon (Feira da Construção); Fehab (Feira da Habitação) e palestras de profissionais da área. Ler revistas relacionadas à construção civil, arquitetura e engenharia também é importante.
Um grande segredo para ter sucesso é ser humilde para aprender. A humildade faz parte do currículo de um bom profissional, pois o faz mais atento às reais necessidades de cada projeto e torna o trabalho muito mais produtivo. Alguns modelos traçados pelos modernistas servem de referência para os arquitetos: Vilanova Artigas, Lina Bobardi e outros. Mas é importante não ter as fórmulas pré-estabelecidas como regras. O ideal é tê-las como referência para obter uma melhor solução. Quando nos prendemos aos paradigmas, deixamos de prestar atenção nas diferenças, que muitas vezes são sutis e fazem com que o projeto pareça ter sido desenvolvido para outro cliente ou para outro fim, que não aquele a que se destina.
Os costumes são diferentes entre os povos, portanto todo cuidado é pouco. Conceitos de espaço, por exemplo, são diferentes para uma família de origem italiana e uma de origem alemã. Hoje é comum encontrar edifícios destinados a usos diversos, porém todos com a mesma “cara”, sem identidade. Tudo é uma questão de linguagem. Um hospital deve ter características de hospital e isso não impede soluções e arranjos criativos. Vale a pena ousar, mas para isso é preciso estudar e conhecer minuciosamente a que se destina o trabalho a ser executado. Por isso, ame, estude, aprenda, respeite e vá em frente!
*George Hochheimer e Luciano Martinelli Imperatori são sócios da Hochheimer Imperatori Arquitetura , do Instituto de Arquitetura do Brasil (IAB) e da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (Asbea). Ambos ministram palestras sobre Arquitetura e Urbanismo e são consultores de Arquitetura da Rede Chrysler e da Citroen na Argentina.
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